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União das Freguesias de Tarouca e Dálvares

Blog oficial da União das Freguesias de Tarouca e Dálvares. Inclui informações sobre a freguesia, atividades e notícias.

Isabel Proença dedica poema à nova sede da União das Freguesias de Tarouca e Dálvares

por uf-taroucaedalvares, em 06.02.15

Sede da junta

 

A propósito da inauguração das novas instalações da União das Freguesias de Tarouca e Dálvares, Isabel Seiceira Proença escreveu um poema sobre o edifício que já foi escola e hoje é sede de junta.

 

O poema, composto, por 13 estrofes, dá voz à antiga Escola Adães Bermudes, que descobre, aquando da inauguração, ser a “junta da união”.

 

 

 

Escola Adães Bermudes = escola de cima (falando consigo própria)

 

(Escola) - Dormia um sono profundo

               Sonhava tranquilamente!...

               Quando, como que, por magia

               O rufar do tambor se ouvia

               E à minha volta, muita gente.

 

(Escola) - Acordei sobressaltada

               Com a banda a tocar

               Um hino, bem conhecido

               Familiar ao meu ouvido

               Do tempo das crianças, o entoar.

 

(Escola) - Num impulso, levantei-me

               Espreguicei-me e fui ver.

               Espreitei, pela janela,

               E vi, através dela,

               Algo que me deixou a tremer.

 

 

(Escola) - Vi um homem de branco vestido

               E água benta na caldeirinha.

               Será que morreu alguém?

               Mas aqui, já não mora ninguém

               Ou será uma gracinha?

 

 

(Escola) - Lá fora, ouvem-se vozes

               E o rufar dos tambores

               Também a música a tocar

               Algo se vai festejar

               Há, aqui, tantos “Senhores”!

 

(Escola) - Abri a janela e perguntei:

            - Alguém me pode explicar

            O que se está a passar?!

            Pois ainda não percebi

            Haver tanta gente, aqui?!

 

(Alguém) - Foste pedida em casamento

               Por Tarouca e Dálvares

               Vais ser “Junta da União”

               De todos os que aqui estão

               É melhores já aceitares.

 

(Escola) - E é preciso este alarido?

            E toda esta ansiedade?

            Silêncio! Preciso de descansar!

            Depois de tanto ensinar

            Os meninos desta cidade!...

 

(Escola) - (…) Mas!...pensando melhor

            Eles têm razão!...

            Ficar aqui, abandonada,

            Sem servir para nada,

            É de partir o coração!...

 

(Escola) - Vivo num lugar belo e lindo

            De situação aprazível...

            Noto que ainda me desejam

            E olhando, me invejam

            Por ser “bela e inconfundível”...

 

(Escola) - Acho que valeu a pena

            Pensei eu a sussurrar.

            Vou ter alguma utilidade

            Para o povo desta cidade

            Onde os ouvirei a “reclamar”.

 

(Escola) - Por fim, fui ao espelho

            Para ver a “maquilhagem”.

            Do branco claro, d'alvura

            Pintaram-me de cor meio escura

            Ninguém reconhecia a “roupagem”.

 

(Escola) - Tranquei as portas e recolhi

            Aos meus novos aposentos!...

            Fechei os olhos e pensei:

            -No que eu me transformei!...

            Mudam-se as vontades e os tempos.

 

Isabel Seiceira Proença